Para marcar os 111 anos da inauguração do Ramal da Lousã, a Cooperativa e o jornal Trevim organizaram este sábado, dia 16, três iniciativas diferentes, mas com o mesmo objetivo: defender e reivindicar o regresso do antigo serviço ferroviário.

A exposição “Cartunes pelo Ramal”, mostra aos visitantes do Museu Municipal Álvaro Viana de Lemos o que o Trevim tem lembrado, através da rebeldia do cartune: a necessidade da reposição da linha centenária. Os desenhos em exposição, assim como os seus protagonistas, “Broncas”, “Ti Belmiro” e “Ti David”, são o espelho do caráter interventivo dos seus criadores, Zé Oliveira e Carlos Sêco.

Os interessados em analisar melhor cada desenho têm a oportunidade de comprar o catálogo da exposição, também lançado no último sábado, e agora à venda na Cooperativa Trevim, pelo preço de 6€. A edição contou com o patrocínio e apoios do Licor Beirão, Efapel, Prado Cartolinas e Município da Lousã.

“Através da história da caricatura, assim se vê como está a luta, em que ponto nos encontramos”, referiu o historiador Osvaldo de Sousa, ao apresentar o catálogo, indicando que esta luta começa a “centralizar-se em locais como a Lousã”, sendo o Trevim um exemplo ímpar em Portugal e na Europa, por ter dois cartunistas a desenhar gratuitamente para a publicação. “Com o tempo, o cartune sobre a ferrovia perdeu o humor, a nível nacional, o que não aconteceu aqui na Lousã”, disse, apelando à continuidade desse espírito crítico. 

Envolver alunos através da música

Numa evocação do momento da inauguração do ramal, há 111 anos, sobretudo nos ecos que ele teve na imprensa da época, Carlos Sêco, acompanhado de alguns dos seus alunos, cantou o poema de autoria de um lousanense de nome Pompeu, publicado no jornal “O Louzanense”, em 1906. A canção, musicada por si, “levanta-te e anda”, fala de progresso e foi entoada na apresentação do catálogo, numa demonstração do envolvimento dos alunos na falta do comboio.

No final, o próprio Carlos Sêco, que teve a ideia de juntar os cartunes do Trevim e de os apresentar numa exposição, confessou já não acreditar no regresso do comboio. Zé Oliveira demonstrou não poder estar mais em desacordo e frisou a necessidade de uma luta permanente, assídua, apelando a uma participação mais ativa da população.

Continua na edição impressa do Trevim n.º 1368