Pedro Júlio Malta

António Victor – uma explicação

Completou-se, no passado dia 11 de Fevereiro, o primeiro centenário do nascimento de António Victor, um artista da palavra que, com os trabalhos poéticos que dedicou à nossa terra, já faz parte do cancioneiro popular lousanense. Não só o recorda , com intensa saudade, a geração a que pertencem os fundadores do Trevim, mas também todos quantos, velhos ou novos, aprenderam a trautear as músicas que iluminou com os seus versos, tais como, por exemplo, as mais populares, a “Canção da Lousã” e o “Sant’antoninho da Neve”, enfim, um conjunto de poemas musicados, que há muito tempo constam do imaginário poético e musical da Lousã.

No tempo em que o Trevim estava em “fase de construção” António Victor não se furtou a dar-nos conselhos, incentivou-nos a levar o projecto por diante e prometeu-nos colaboração regular, promessa esta que não teve tempo de cumprir, por causa do seu complicado estado de saúde, que acabou por roubá-lo prematuramente do convívio com familiares e amigos, em Terça-Feira de Carnaval de 1968.

Um arreliador sobressalto gripal impediu-nos de mais cedo referir esta importante efeméride e organizar a homenagem que o Trevim deve prestar a este saudoso amigo. Ainda não será hoje por escassez de espaço, mas com certeza que na próxima edição do jornal daremos a António Victor o espaço destacado a que tem direito e que é nosso dever dedicar-lhe nesta altura.

Na edição de 1 de Março de 1968, por ocasião do seu falecimento, alinhavei algumas palavras de profunda saudade e gratidão, perfeitamente actuais, de que agora faço gosto em destacar: “Os seus conselhos clarividentes, o seu trato afável, o seu fino sentido de humor – para já não falar das suas lições, que recordação ! -, perdurarão para todo o sempre na memória dos que consideram a Amizade como o factor primordial para o engrandecimento humano, para a concórdia perfeita entre todos os homens. E como o senhor Prof. António Victor sabia ser amigo !”

Até daqui a quinze dias, querido Amigo !