Pedro Júlio Malta e João Poiares da Silva

Quando, há cerca de três anos e meio, voltámos a assumir a direcção do Trevim, já sabíamos que era uma tarefa a prazo. O peso dos anos não perdoa. Falta-nos o tempo ( e, por vezes, as condições de saúde não são as mais favoráveis ) para acompanharmos como deve ser a produção do jornal e para outras actividades da vida privada, cuja realização ainda se sonha levar a cabo. Por isso, termos exposto à Direcção da Cooperativa o desejo de nos vermos desvinculados das nossas obrigações.

Lemos algures que “todos os dias somos confrontados com novas realidades no que diz respeito à comunicação, entretenimento e acesso à informação, realidades que o cidadão comum ainda não é capaz de compreender na sua totalidade, mas que já se tornou completamente dependente destas.”

Depois de ter completado há poucos meses meio século de vida ao serviço da Lousã e dos lousanenses, precisamente num momento em que aumenta o decréscimo do número de leitores da imprensa escrita, por causa de uma cada vez maior procura dos novos meios tecnológicos disponíveis para o acesso a uma informação mais rápida e menos onerosa, o Trevim tem que acelerar a sua trajectória de aproveitamento de todas essas potencialidades modernas.

Por esse motivo já há muito tempo que vimos defendendo que o futuro deste jornal passa pelo compromisso e empenhamento de uma geração mais nova, capaz de transformar o Trevim num veículo de informação mais dinâmica, sem abdicar obviamente dos princípios que estiveram na sua génese e contando sempre com a experiência dos mais velhos.

No editorial do nosso regresso já reconhecemos que “vivemos uma época em que as novidades tecnológicas e a velocidade da informação aí estão para quem as possa e queira acompanhar e aproveitar. Forjou-se, por isso, no decurso destes anos, uma nova camada de leitores que dispõe agora de um grau maior de exigência, totalmente diversa da dos leitores do passado.”

Como não temos receio de admitir e de expor as nossas limitações face à actual conjuntura tecnológica, e também pelas razões aduzidas no início deste texto, satisfaz-nos vermos aceite a nossa substituição por dois jovens já com provas prestadas em colaboração no jornal, quer na produção de conteúdos, quer na parte de execução técnica: o José Luís Santos e a Tatiana Ribeiro.

Para eles vai a nossa gratidão por se terem disponibilizado em assumir o compromisso com o futuro do Trevim, ao mesmo tempo que fazemos votos para que consigam levar “o barco a bom porto”. Os nossos agradecimentos pelo apoio sempre explícito que nos concederam, indispensável para a concretização do rumo que imprimimos ao nosso contributo para a regular continuidade do jornal, vão também para o colectivo da Redacção, para a Direcção da Cooperativa, para o serviço administrativo e para todos quantos, de uma maneira ou outra, prestam ao jornal colaboração inestimável.

Não se trata aqui de fazermos a nossa despedida. Prosseguiremos com o mesmo espírito de colaboração que nos vem do tempo da fundação do jornal. Não podia, aliás, ser doutro modo.