“Temos uma plataforma de via que foi intervencionada, que está toda livre, sofreu obras, mas o que é que realmente vamos ter aqui?” questionou Manuel Tão, investigador e especialista em economia dos transportes da Universidade do Algarve, durante o debate sobre a atual realidade da linha centeneária do Ramal da Lousã, realizado dia 27 de outubro no auditório municipal de Miranda do Corvo.

O professor universitário garantiu não ver “outra forma se não a reposição da linha de caminho de ferro na plataforma existente”, tendo apresentado durante a sessão um sistema ferroviário já aplicado na cidade de Cádiz, em Andaluzia, Espanha, capaz de responder às necessidades de mobilidade em Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, com um custo estimado em 90 milhões de euros. “Um sistema de “tram train” em bitola larga ibérica, numa linha que tanto pode funcionar para comboios como para elétricos e que depois tem uma penetração no espaço urbano, tal como a linha da Lousã pode ter em Coimbra, prolongando-se para outros sítios”, explicou.

A análise custo-benefício do “metrobus”, sistema de autocarros guiados proposto pelo atual governo, não considerou outras alternativas para o troço ferroviário disse o investigador, durante a sessão promovida pelo Movimento de Defesa do Ramal da Lousã e a Rádio Dueça Informiranda, moderada por Mário Sol. O documento “tinha a chancela do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, mas na verdade parecia mais um panfleto promocional de uma tecnologia que alguém queria vender”.

Referindo-se à anunciada candidatura a fundos europeus, Manuel Tão denuncia que “neste momento ainda nem se sabe que sistema de guiagem será aplicado nos autocarros”, considerando que Bruxelas “não vai aceitar” um tal financiamento. “Se nem sequer se sabe a especificidade e o custo/benefício desse sistema não parece realista pensar que vamos ter cofinanciamento europeu nos próximos tempos”, acrescentando que existe risco de “esta situação de impasse se prolongar até pelo menos 2027, data final do período de vigência do novo pacote de fundos comunitários”. Se “nada for definido para o Ramal da Lousã para 2021-2027 vamos continuar por mais não sei quanto tempo com o serviço alternativo de autocarros”.

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