“O museu foi a minha criação, andei muito tempo à procura da alma do meu povo e tenho a impressão de que a agarrei”, referiu o médico e investigador Manuel Louzã Henriques, durante o almoço comemorativo dos 25 anos da Campanha “Ser Solidário”, no dia 24 de novembro.

Na sua intervenção, Louzã Henriques debruçou-se sobre a criação do Museu Etnográfico a que dá nome, deixando nota das suas ligações familiares à Lousã, do espólio que tem colecionado e do papel da revolução industrial na sociedade.

Nascido em 1933 no Coentral, concelho de Castanheira de Pera, Manuel Louzã Henriques “não quis cair na pequenez de ser só de uma terra”, tendo procurado refletir no equipamento integrado no Ecomuseu da Serra da Lousã, a alma do seu povo retratada “nas relações com todo o mundo”.

Inaugurado a 7 de julho de 1990, nas instalações da antiga Escola de Conde Ferreira e reinaugurado em 24 de junho de 2005, o espaço reúne um espólio etnográfico diversificado, de abrangência nacional, onde se podem encontrar instrumentos relacionados com a agricultura, como alfaias e sistemas de atrelagem. Uma presença cultural que fala das civilizações que passaram pela Lousã, marcadas em arados, em cangas e carros de bois, em ferramentas de trabalhar a terra, a madeira e o ferro. “Estão escritos com uma outra linguagem”, que era preciso reativar, “conferindo-lhe mais dimensão e presença no coração das pessoas que daqui são e das que nos visitam”, explicou. Trata-se, nas suas palavras, de um “museu etnográfico com uma vivência antropológica” que considera as “mentalidades e necessidades da cada classe e geração”.

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