No passado dia 21, António Costa visitou o nosso concelho. Com a habitual pompa e circunstância, típica da vinda de um primeiro-ministro, inaugurou a sede da Agência Integrada para a Gestão dos Fogos Rurais no Centro de Operações e Técnicas Florestais, bem como do novo edifício da Efapel. O chefe do executivo nacional sublinhou que não faltavam evidências para demonstrar que não havia “nenhuma fatalidade do interior”. Apresentava assim a sua visão de um país que se movia a uma só velocidade, sem disparidades ou dicotomias litoral/interior, um território de desenvolvimento harmonizado e sem qualquer alegada ostracização do enorme território que dista das principais cidades mais próximas da costa.

Usou como argumento que não era “por acaso” que o governo estava a investir nas linhas ferroviárias da Beira Baixa e da Beira Alta. Poderá soar a um comentário de mau gosto tendo em conta a tragicomédia em que se tornou a Metro Mondego e o Ramal da Lousã, mas havia uma novidade para tirar da cartola. Anunciou que a recente reprogramação dos fundos europeus do Portugal 2020 contemplará o financiamento das primeiras fases do projeto do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) para instalar uma rede de autocarros elétricos no nosso ramal. “Criámos condições financeiras para, finalmente, podermos executar a obra”, concluiu. Mas a verdade é que continuamos com uma mão cheia de nada. A somar a isso, não se pode ignorar o fraco investimento que se está a levar a cabo na transformação do IP3 numa futura autoestrada que bem poderia ter sido projetada de forma a ir ao encontro das populações que habitam nesta zona do interior. Faz-se a obra, que é inaugurada com festa e frases feitas para a comunicação social, mas os problemas não são efetivamente resolvidos.

Há três autoestradas que rasgam o centro do país de norte a sul e que passam bem perto de nós. Mas o resto é quase paisagem. Talvez seja a tal “fatalidade”.