Trazer à memória os momentos vividos durante a manifestação do 1.º de Maio, de 1974, foi o objetivo da tertúlia “Conversas à Varanda”, uma iniciativa da Cooperativa Trevim que lançou o desafio aos intervenientes históricos que subiram naquele dia à varanda do edifício dos Paços do Concelho para falarem à multidão. O povo, que saiu à rua em massa, ainda em efervescência, porque o 25 de Abril tinha sido há cinco dias, envergava palavras de ordem: “Viva a Liberdade”, “Viva o Socialismo”, “Povo Unido Jamais Será Vencido”, “Spínola, estamos contigo”, entre muitos outras.

A olhar para essa massa humana que parou na Câmara Municipal, à espera que alguém lhes dirigisse a palavra, estavam ilustres lousanenses que já tinham alguma intervenção cívica ou política, e alguns estudantes universitários. Dos que ainda estão entre nós, cinco compareceram a este desafio da Cooperativa Trevim, recuperando a memória dessa experiência e sentando-se no átrio da Biblioteca Municipal, na noite de 24 de abril, assinalando os 45 anos do 25 de Abril.

“Foi a maior alegria que tive em termos políticos e de cidadania, foi fantástico, jamais em tempo algum me lembro de um ajuntamento de tantas pessoas, foi a grande concentração”, lembrou Pedro Júlio Malta, fundador e primeiro diretor deste jornal, que contactou com a censura, desde a fundação do Trevim, em 1967. “Levava às costas uma herança para poder dizer ali alguma coisa, dizer aos trabalhadores para a partir daquela data fazerem jus às suas reivindicações. A partir daí começou o período mais fantástico da história contemporânea, o PREC, Período Revolucionário Em Curso”, lembrou, acrescentando: “Deve ter sido o único dia em que estávamos todos de acordo”.

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