O movimento Lírio Azul escolheu a Lousã para o 2.º encontro nacional, no passado dia 5, no Palácio da Lousã – Boutique Hotel, para um workshop seguido de uma cerimónia de entrega de distinções.

Vítor Poças, presidente da Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal, abriu a sessão e desenhou um futuro pouco auspicioso para o Interior, pegando no exemplo da Lousã, referindo-se “à linha férrea abandonada”. Para este industrial da madeira, “muito triste com o que vê nesta região”, “o Interior está longe e é difícil trazer as pessoas”. Reconhece que “a floresta do Interior tem estado na base da qualidade de vida de quem vive no Litoral” e que, com o correr do tempo, “corremos o risco de não termos a matéria prima, nem os recursos humanos”, concluindo que “o futuro do interior do país está muito ameaçado”. Vítor Poças mostra-se solidário com as gentes que perderam tudo nos incêndios de 2017, uma vez que, no passado, também ele foi vítima.

A primeira distinguida foi Ana Paula Rafael, CEO da Dielmar, uma das mais prestigiadas marcas de pronto-a-vestir. A empresária, cuja base está sediada em Alcains, perto de Castelo Branco, sabe que o setor da confeção “ainda é responsável por muitos empregos no Interior”, mas não tem dúvidas de que “esse mesmo Interior tem sido relegado para segundo plano em muitos setores”. Acrescenta ainda que “o país ficará desequilibrado, se todos formos para o Litoral” e deu o exemplo de São Paulo, em que, fruto da deslocalização das pessoas, “elas não vivem, mas sobrevivem, pelo que é preciso antecipar o futuro”, no que diz respeito a Portugal, não permitindo que também o Litoral fique “empobrecido em qualidade de vida”. O que deixa Ana Paula Rafael preocupada é não ver esse planeamento em cima da mesa.

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