O manifesto do MDRL está datado de 16 de dezembro de 2009, duas semanas depois de ter sido interrompida a circulação dos comboios entre Serpins e Miranda do Corvo, para dar início ao arranque dos carris. Dez anos depois coloca questões cada vez mais pertinentes e outras ainda hoje por esclarecer.

“Há 103 anos, em 16 de dezembro, na sequência de um processo atribulado, era estabelecida a primeira ligação por comboio entre Coimbra, Miranda e Lousã. Desde então o centenário ramal tem sido uma importante alavanca do desenvolvimento da região ao proporcionar a mobilidade de pessoas e mercadorias.

Por isso o Movimento de Defesa do Ramal da Lousã entende ser oportuno questionar: quando por toda a Europa e no próprio país se aposta na ferrovia vamos dar-nos ao luxo de desmantelar um ramal centenário para adotar um milionário projeto de metro sem viabilidade económica comprovada, num trajeto de zona florestal que se quer urbanizar à força para arranjar clientes?

Ao contrário da grande propaganda que se faz, a reabilitação e eletrificação das linhas ferroviárias existentes, com material circulante adequado, é uma solução moderna, eficaz e económica, cada vez mais adotada para o transporte suburbano de passageiros. Como tem acontecido em tantos locais do país: Braga, Guimarães, Castelo Branco, Barreiro e ramais de Leixões e Vendas Novas (neste caso até reabrindo linhas desativadas).

Neste contexto em que até a anterior secretária de Estado dos Transportes recentemente garantia que já lá vai o tempo de encerrar linhas ferroviárias, é caso para questionar: que poderosos interesses impedem o desenvolvimento da ferrovia ao serviço das populações na região de Coimbra? Quem são os promotores e os cúmplices de uma tal orientação?

Por isso insistimos: não será um crime a destruição de uma linha ferroviária que serve tantos milhares de utentes e com tantas potencialidades para o futuro desenvolvimento da região interior do distrito?

Como é possível que para o grande investimento que se anuncia no chamado Metro Mondego (mais de 300 milhões de euros) não se conheçam estudos de procura e de viabilidade económica, nem o modelo de financiamento que assegure a sua sustentabilidade, nem análises custo/benefício comparando esta e outras alternativas?

Por tudo isto o MDRL reclama que se suspenda o anunciado desmantelamento do Ramal da Lousã e se avalie a solução alternativa que consiste na sua eletrificação e modernização, que é viável sem a interrupção do serviço ferroviário e sem pôr em causa a mobilidade de milhares de utentes que dependem deste meio de transporte para acesso aos locais de trabalho, de ensino e cuidados de saúde.

Uma alternativa que, além de ser mais favorável aos utentes, se evidencia como bem mais amiga dos contribuintes, do ambiente e do interesse público, pela maior racionalidade económica quanto ao investimento em infraestruturas, material circulante e futura exploração.”

16 de dezembro de 2009

O Movimento de Defesa do Ramal da Lousã