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Carvalhal de eucaliptos

Ando um tanto ou quanto recorrente nos temas destas minhas prosas, recordando volta e meia pormenores do meu passado enquanto topógrafo e, ao mesmo tempo, trazendo à flor da memória episódios e reflexões que entroncam na problemática da floresta e nas tragédias que ela pode encerrar, se povoada com espécies arbóreas desadequadas.
Não me lembro se alguma vez vos falei do Carvalhal, do concelho da Sertã, freguesia cujo levantamento topográfico elaborei para o respectivo projecto de electrificação, já lá vão uns valentes pares de anos. Pacato território onde ‘ninguém’ passava, viria a ter, uma quantidade de anos após, servidão pelo IC-8, moderna estrada que vem da Figueira da Foz e prossegue até Castelo Branco, passando por Pombal e Avelar. Depois do meu desempenho profissional por aquelas bandas, a primeira vez que (ou)vi o nome do Carvalhal abrir telejornais foi no final de Janeiro de 2013, quando 11 excursionistas alentejanos morreram porque caiu numa ravina, junto à saída do IC-8 para aquela freguesia, o autocarro que os transportava numa romagem ao maior presépio do mundo em S. Paio de Oleiros, concelho de Vila da Feira.
Há três semanas, o Carvalhal voltou a encabeçar os noticiários, mais uma vez por trágica razão: um violento incêndio ameaçava povoações enquanto dizimava floresta. Floresta de carvalhos? Não! De eucaliptos! Muitos! E alguns pinheiros! Durante os meus trabalhos de topografia, que me obrigaram a palmilhar a totalidade da freguesia, não encontrei um único carvalho.
Este é um daqueles raros casos em que a freguesia é designada por um nome que não corresponde a nenhuma povoação. Ali, nenhuma aldeia se chama Carvalhal. Ora, isso reforça a presunção de que por ali terá existido uma mata de carvalhos, com tal implantação e força aglutinadora, que dela terá resultado o topónimo para o conjunto de aldeias.
Continuasse aquela região a ser território de ‘quercus’, e seguramente o Carvalhal não teria sido abertura de telejornais e manchete de imprensa.
Não é apenas por nostalgia e apelo antropológico que desejamos ver na nossa paisagem a floresta autóctone; é, também, por segurança.

José Oliveira

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Autor: Carlos A. Sêco

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