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É urgente de volta o caminho-de-ferro

Pedro Júlio Malta

Fez 111 anos, no passado domingo, que o comboio chegou oficialmente à nossa terra. A festa foi de truz. Meteu as filarmónicas Lousanense e a de Arganil, com foguetes à mistura. E muita, muita gente em traje domingueiro. Senhores e povo anónimo. E a filarmónica arganilense, porquê? Porque estava prometido o comboio seguir para Arganil. Por isso os trabalhos de abertura da via férrea serem por conta da “Construção do Caminho de Ferro de Arganil”. Até hoje !… À gente, por aqui, pifaram-lhe o comboio vai para oito anos e picos. Os de Góis e de Arganil ainda hoje estão à espera dele. São as mentiras que a política, a má política tece.

Seria lógico fazer-se de cada dia 16 de Dezembro um dia de festa na Lousã, sabe-se lá, feriado municipal, porque não?, tanto foi o progresso que o caminho-de-ferro trouxe para estas bandas. Corolário das palavras apaixonadas que a primeira página do jornal “O Louzanense” dedicou aos festejos da chegada do comboio. A certa altura, como profeta irrompendo dos escaninhos da serra, escreve: “A velha Louzã, pacífica e somnolenta acabou; é preciso que todos o compreendam desde já”. E prossegue, veemente: “Temos uma Louzã nova, urgindo quanto antes por que a tornemos cada vez mais bella e maior, porque – sem nós sabermos – com isso melhor que com ferrugentos pés de meia augmentaremos o património dos nossos filhos e de todos os que vierem depois de nós.” E acaba com um alerta: “Abram os olhos todos os da Louzã!”

E o concelho da Louzã abriu-se ao progresso. É um facto.

Mas, de há oito anos para cá, cada dia 16 de Dezembro virou jornada de luta. Uma luta que só deve acabar quando tivermos de volta o veículo de progresso que nos levaram às escâncaras, sem vergonha. Nada justifica outra solução para o Ramal da Lousã que não passe de novo pelo caminho-de-ferro, melhorado com electrificação, para que os responsáveis pelo defraudo de expectativas, pela estragação de dinheiros públicos se possam redimir dos prejuízos que fizeram abater sobre as populações servidas pela via férrea.

Parafraseando o nosso antepassado “O Louzanense” deixamos também um aviso: Abram os olhos todos os da Lousã, de Miranda e de Coimbra! É urgente de volta o caminho-de-ferro.

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Autor: Carlos A. Sêco

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