Casimiro Simões

No dia 7 de setembro, o Brasil comemora o bicentenário da sua independência. Estamos a falar de uma potência emergente a nível global, com mais de 200 milhões de pessoas que falam português.

Foi para o país irmão que boa parte da emigração da Lousã se desenvolveu, ao longo do século XX, mas já na centúria anterior famílias do concelho partiam para diferentes estados da República Federativa do Brasil em busca de melhor vida.

Em quase 55 anos de publicação, desde 1967, o Trevim procurou sempre, dentro do possível, dar especial atenção aos lousanenses espalhados pelo mundo, com destaque para a comunidade radicada no Brasil.

Honrado com uma presença em terras de Vera Cruz, através dos assinantes e leitores, este jornal associa-se à emancipação política do Brasil, iniciada há 200 anos com o “grito do Ipiranga”, proferido pelo príncipe regente D. Pedro.

Assunto muito falado em maré comemorativa, com sincera paixão ou mesmo tontas efabulações, o coração de D. Pedro, I do Brasil e IV de Portugal, pode realmente simbolizar uma proximidade, uma partilha algo salomónica, mas que nunca deixará de ser separação!

O Brasil celebra o eclodir de um processo histórico, em 1822, em que se destacou José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), professor da Universidade de Coimbra nascido em Santos, curiosamente a cidade portuária onde viria a radicar-se a maioria dos emigrantes da Serra da Lousã.

Artur Silva Bernardes (1875-1955), presidente do Brasil na década de 1920, tinha raízes na Castanheira de Pera, mais precisamente no lugar do Fontão, de onde seu pai era natural e que o estadista visitou em 1928.

Claurenço Simões, oriundo das Silveiras e residente no Brasil, foi o primeiro empregador de Lula da Silva. Ainda rapaz, o futuro presidente chegou a trabalhar no açougue que aquele lousanense tinha no Cubatão.

João Montenegro (1824-1915), natural da Lousã e com ligações familiares a Vila Nova de Poiares, fundou a colónia Nova Louzã, no estado de São Paulo, em 1867. Além de pessoas da Lousã, o grupo de emigrantes que acompanhou o benemérito para o sertão incluía trabalhadores do concelho de Miranda da Corvo.

O advogado Paulo Lebre, com escritório em São Paulo, descende de um desses mirandenses. A historiadora brasileira Sónia Freitas tem investigado o percurso das famílias ligadas à criação daquela colónia agrícola.

Mais de 150 anos depois, Paulo orgulha-se das raízes em Chã e Vale de Colmeias, que já visitou com a família. O Trevim vai continuar a contribuir para estreitar a ligação às comunidades da diáspora. Parabéns, Brasil!

Paulo Lebre, em 2019, na apresentação de um livro de Sónia Freitas
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