O lousanense Marco Rangel suspendeu em 2017 a atividade da sua empresa que se dedicava ao corte de ramos de árvores junto a linhas de eletricidade porque percebeu que o “trabalho não era sério”. Esteve entre 2013 e 2017 a prestar serviço na zona de Santarém e Lisboa, tendo visto várias situações perigosas, “como árvores a explodirem contra as linhas, ignições nas copas das árvores” e não conseguiu ficar passivo quando se deparou com situações perigosas, em abril do ano passado, quando decidiu vir trabalhar para a região Centro.

“Fui analisar uma linha na zona da Castanheira de Pera junto a Figueiró dos Vinhos, Penela e Pedrógão Grande e comecei a ver que algo estranho estava a acontecer naquela zona, e que era preciso, não um trabalho de manutenção, como estava a ser pedido, mas muito trabalho especializado”, contou ao Trevim, salientando que teria de recorrer a toda a formação e experiência em trabalhos em altura e proximidade a linhas de média e alta tensão, para poder trabalhar em segurança.

“Decidi propor ao empreiteiro, que recebeu os trabalhos nesta zona para o conjunto dos três anos, para contactar a EDP, no sentido de pagar pelo menos parte dos trabalhos como serviço especializado”. Para o efeito, fez um registo fotográfico da zona, em abril de 2017. Segundo contou ao Trevim, a EDP não terá aceitado, afirmando que as “linhas estavam bem”, “em segurança”. “Em junho deu-se a tragédia”, diz, lamentando o sucedido.

“Uma das fotos que tirei de uma situação muito perigosa, tinha sido precisamente na ‘estrada da morte’, a uns quilómetros mais acima do local onde ocorreram os acidentes”, frisa, querendo deixar o alerta para que ocorrências como os incêndios de 17 de junho e 15 de outubro, em que morreram mais de uma centena de pessoas, não voltem a acontecer.