Os heróis da bilheteira

Bruno Fernandes (maryotshka@gmail.com)

25 de Abril é o dia da Revolução e para os fãs portugueses do Universo Marvel é também o da conclusão, com a estreia de “Avengers: Infinity War”, de uma aventura começada em 2008. Na altura, com a estreia de “Homem de Ferro”, o estúdio de cinema começou uma arriscada aventura cinematográfica que culminou naquele que é o mais bem sucedido projeto de cinema comercial deste século. Quase todos duvidaram inicialmente do seu sucesso, e quando olhamos para trás, não é difícil perceber porquê: Kevin Feige, o homem por detrás da ideia, tinha pouca experiência como produtor de filmes; os heróis escolhidos eram figuras de segunda linha, que diziam pouco ao público que não era fã de banda desenhada; e nunca fora tentado um projeto desta envergadura, que pretendia unir vários filmes, com personagens diferentes, numa conclusão final.

Contra todas as probabilidades, chegamos a 2018 e “Black Panther”, o mais recente filme do estúdio, tornou-se no quinto membro do clube daqueles que passaram um bilião de dólares em receitas em todo o mundo e no momento em que escrevo, “Avengers: Infinity War” tem quebrado todos os recordes de pré-venda de bilhetes e irá certamente juntar-se-lhe. O número de pessoas que têm discutido os motivos deste sucesso é praticamente igual ao que anuncia, qual velho do Restelo, que será a próxima estreia que marca a explosão desta bolha e o fracasso; e no entanto, os resultados financeiros da Marvel melhoram com o passar dos anos. Há críticas a apontar (até recentemente, a aversão ao risco da Marvel era evidente; há claramente uma fórmula que rege as obras da Marvel, mas se não está estragado, para quê mexer?; o boom de cinema de super-heróis criou uma espécie de deserto criativo no cinema norte-americano); uma verdade fica: foi produzida uma vintena de filmes onde quase todos são, no mínimo, razoáveis. Há poucos estúdios em toda a História do Cinema com este rácio de eficácia.

A Marvel tem estreias previstas para os próximos três anos e o projecto não fica por aqui. Mantendo uma rivalidade com a outra grande companhia de banda desenhada americana, a DC, encontra-se neste momento em larga vantagem, dominando o panorama, fabricando estrelas a partir de actores menos conhecidos e com a protecção da Disney. Para o bem e para o mal, e com críticas de figuras de proa como Spielberg, a hera dos super-heróis, mitos antigos modernos filtrados em cores de arco-íris, instalou-se no nosso imaginário. Se quiserem manter-se atualizados, a minha sugestão é que comecem a ler a secção de quadrinhos dos jornais.