A estrada para a Ribeira Fundeira encontra-se enlameada, em resultado das chuvas que se abateram nesta freguesia de Serpins no primeiro aniversário do 15 de outubro, efeméride que foi marcada pelas altas temperaturas e tempo seco que ajudaram ao violento incêndio que aqui consumiu árvores, animais e casas. Uma delas é a de Mandy Schlundt, alemã de 34 anos, e de Anika Gundlach, de 38. Após terem ficado sem nada, foram alojadas em Covas, perto de Golpilhares, entre novembro e junho.

De momento, têm uma casa cedida pela Câmara Municipal em Foz de Arouce, um espaço que pretendem habitar assim que o excesso de chuva ou o frio lhes retirem condições para habitarem com os três filhos menores de Mandy na tenda que têm montada na sua terra, com vista para as ruínas da casa que continua por recuperar. As duas alemãs colocaram os objetos que lhes deram em casa de amigos e devolveram outros que não necessitavam ao Centro Cristão Vida Abundante pois não querem estar a mover todos os pertences novamente. Sentem falta, à semelhança das crianças, do seu espaço, razão pela qual consideram que “foi bom vir para cá pois, apesar de não termos casa, este é o nosso espaço, o nosso lar”.

Amanhãs que não chegam

Até ao momento, não há eletricidade, apenas um pequeno painel solar que permite somente carregar o telemóvel ou o computador. As alemãs já agendaram duas vezes com responsáveis da EDP uma visita ao local para tentar arranjar uma solução, mas eles nunca apareceram. Têm a informação de que não é possível colocar na casa um contador da eletricidade por não terem licença de construção, um problema de foro burocrático que lhes é alheio, uma vez que o processo, já por si demasiado moroso e sobre o qual nem dispõem de informações, não está a ser conduzido por elas. Pouco foi feito de concreto na casa, à exceção do voluntariado do Centro Cristão Vida Abundante, que ajudou a retirar o entulho em novembro.

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