A Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro (APAC) defende a imediata reposição e electrificação da linha entre Coimbra-Parque e Serpins. Em longo comunicado enviado às redações, na última semana, a associação considera que “a opção governamental pelo chamado Metrobus é uma solução desadequada para servir a mobilidade ao longo desse eixo”.

“Os estudos apresentados que conduziram à eleição desta opção partiram de um pressuposto cuja assumpção pelos poderes públicos não foi inteiramente realizada, e que demonstram a falta de interesse para investir seriamente no caminho de ferro no nosso país, apesar das muitas intenções propaladas ao longo do tempo”, refere o comunicado, sublinhando que a “opção pelo Metrobus é essencialmente justificada pela disrupção que a atividade ferroviária causa no atravessamento urbano entre Coimbra-Parque e Coimbra-A, o que pode e deve ser ultrapassado por soluções desniveladas”. A este respeito, é entendimento da APAC que “para uma cidade da dimensão e importância de Coimbra”, as soluções desniveladas têm um “custo perfeitamente razoável”, sobretudo considerando que semelhantes intervenções foram já feitas em Espinho (túnel) e Trofa (túnel e viaduto) em distâncias similares.

A solução do Metrobus tem, para a APAC, desvantagens assinaláveis. “Privará a população de um serviço mais cómodo e mais resiliente face a condições meteorológicas adversas (…), a capacidade oferecida é potencialmente insuficiente – o canal será mantido em via única, tendo os autocarros que cruzar nas estações”, diz, referindo-se a tempos de percurso maiores aos existentes antes da retirada dos carris. “Os exemplos apresentados nos estudos referem-se, quase todos, a realidades não comparáveis à envolvente conimbricense, e apontam para tempos de percurso inclusivamente piores do que a operação ferroviária apresentava em 2009. Coimbra – Lousã demorará 69 minutos, contra 51 em 2009. Este cenário é indesejável em 2018, quando a pressão para a existência de transportes públicos mais rápidos é decisiva para alterar as quotas modais no futuro”.

A “imediata” reposição e electrificação da linha entre Coimbra-Parque e Serpins permitiria não apenas melhorar a eficiência energética destes serviços face à situação passada, como baixar os tempos de percurso de 2009 atrás citados em pelo menos dez minutos, fruto da muito superior performance do material eléctrico disponível na rede portuguesa – veja-se como exemplo as reduções observadas no eixo Barreiro – Praias-Sado, após a sua electrificação.

A APAC repudia ainda a intenção de fechar a estação de Coimbra-A, no centro da cidade. “Além de mais central, é um importante buffer na operação ferroviária da área, onde confluem diversos serviços regionais e urbanos da Figueira da Foz, Entroncamento, Guarda, Aveiro e Porto”.

Ramal da Lousã completou 112 anos

Para assinalar a passagem de 112 anos sobre a inauguração do comboio da Lousã (a 16 de dezembro), o movimento “Lousã pelo Ramal” veicula um comunicado em que se refere a “um terrível retrocesso social”, nos últimos 10 anos, com o Ramal da Lousã encerrado. “Com a chegada do comboio, a Lousã e os municípios vizinhos do interior do distrito de Coimbra conheceram um surto de desenvolvimento económico e social que nunca mais foi igualado, com o transporte ferroviário de mercadorias a marcar uma enorme diferença, face à opção rodoviária”.

“Desde 1996, ano em que foi criada a Metro Mondego, uma sociedade de capitais exclusivamente públicos, o embuste do metro passou por diversas vicissitudes, cerca de 100 estudos e projetos e pelo menos 150 milhões de euros de dinheiro dos contribuintes desperdiçados”, salienta, acrescentando que “este processo aventureiro já com barbas foi a pior machadada no desenvolvimento da Lousã e de um vasto território em redor que há muito enfrenta problemas de desertificação, desemprego e perda de atratividade para a fixação de empresas.”

Em diversas resoluções aprovadas nos últimos anos, a Assembleia da República (AR) tem vindo a recomendar aos governos, incluindo o atual, a reposição do serviço ferroviário entre Coimbra e Serpins, numa extensão de cerca de 35 quilómetros.

No mesmo sentido apontava uma petição promovida pelo jornal Trevim, da Lousã, sob o lema “Pela urgente reposição do serviço ferroviário no Ramal da Lousã”, entregue no parlamento em 2016 e que colheu o apoio de mais de 8 mil subscritores.

“É com consternação que o movimento Lousã pelo Ramal assinala o 112º aniversário da linha ferroviária roubada à região, mas com a determinação de sempre na defesa do interesse dos utentes, das empresas e dos habitantes do interior”, remata o Movimento “Lousã pelo Ramal” que continua a defender a reposição da ferrovia e eletrificação da linha da Lousã.

50 milhões de euros de fundos comunitários

Refira-se que, na passada semana, foi anunciada pelo Governo a reprogramação dos Fundos Europeus Portugal 2020, em que o Sistema de Mobilidade do Mondego é considerado como “um projeto bandeira”. Tendo consciência da importância da mobilização de fundos comunitários para a concretização do projeto, o Presidente da Câmara Municipal da Lousã, Luís Antunes, considera “muito positiva” a confirmação plena e formal da afetação de 50 milhões de euros no âmbito da reprogramação do Portugal 2020. “iremos manter uma atitude exigente tendo como objetivo a implementação do serviço de acordo com o calendário definido”, salienta em nota de imprensa.