José Luís Santos

No dia 15 de outubro de 2017, um incêndio com origem no Prilhão consumiu uma área total de mais de 54 mil hectares e provocou 15 vítimas mortais, a par dos animais, habitações e património que se reduziu a escombros, fulminados pela força devoradora das chamas. O fenómeno “foi completamente excecional”, dada a infeliz conjuntura de fatores que se alinharam para dar corpo a uma tragédia que marcou um ano já por si enlutado e que fizeram chegar aos quatro cantos do mundo o sofrimento vivido especialmente na zona centro do país.

A 28 de fevereiro, foi tornado público pelo Ministério da Administração Interna o relatório “Análise dos Incêndios Florestais ocorridos a 15 de outubro de 2017”, elaborado por uma equipa de 14 especialistas do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial da Universidade de Coimbra, sob coordenação de Domingos Xavier Viegas, diretor da entidade. Apontou para a queda de um pinheiro localizado na proximidade da linha que, “ao cair sobre dois dos três condutores, terá produzido a sua oscilação e despoletado a descarga entre fases”. Significa isso que esta investigação atribui a causa do incêndio a uma falha numa estrutura elétrica gerida pela EDP, como resultado de “um defeito entre fases” numa das suas linhas elétricas. A empresa visada negou responsabilidades, alegando que a “linha de média tensão não apresentava qualquer risco e estava assegurada uma adequada gestão das faixas de combustível”. Já em março do ano passado, se tinha escudado perante um relatório da Comissão Técnica Independente, entregue no parlamento, que denunciava o não cumprimento do regulamento de segurança das linhas elétricas.

Depreende-se que há aqui uma incompatibilidade de leituras sobre os dados apurados no que diz respeito a todo o enquadramento que originou tanta morte, destruição e sofrimento. Não se pretende aqui apontar culpados, até porque, provavelmente, houve até uma multiplicidade de fatores que estiveram por detrás deste inferno, mas será urgente explicar a todos aqueles que perderam familiares, animais ou mesmo as habitações que este incêndio levou que não se queimaram também responsabilidades.