Receio que seja um pouco tarde para lhe enviar uma carta, tendo em vista que já passei da idade dos sonhos há um bom tempo. Sei também que não falo o seu português, nem represento as suas crianças — sei bem que o conheço por “Papai Noel” e que falo do senhor em outro sotaque. Isso não vem ao caso, apesar de sempre dizerem que conhecer o autor também é conhecer a obra.

Hoje, vim fazer uso do meu direito ao pedido especial, buscando um presente que não é só para mim, mas para nós. Vim pedir que o senhor, com sua sabedoria, fizesse da humanidade uma raça mais sábia; ou, pelo menos, consciente, porque me parece impossível que façamos isso daqui. Vim, com meu último fio de vigor, à procura de alguma forma de conforto nessas palavras meio desvairadas.

A Terra está morrendo. Na verdade, melhor seria dizer que quem está morrendo somos nós, mas acabar com a casa quase sempre implica em mandar os moradores embora. Há mais lixo do que homens no mundo; a comida, que já é pouca para muitos, não tarda a findar; e estamos sempre ingerindo plástico, respirando fumo, bebendo ácido. Estamos desperdiçando coisas que não podem ser repostas, e mesmo que a riqueza dos grandes se mantenha intacta, ainda devemos muito ao meio ambiente.

Devemos os rios e mares, que nos foram dados limpos e arrumados, mas que agora não aparentam um bom estado de conservação. Devemos a atmosfera, intoxicada pela revolução industrial de cada dia. Devemos um futuro aos nossos filhos — futuro esse que pode até nem existir para nós mesmos, quanto mais para os nossos filhos. E, apesar de ser difícil, perder a esperança é a última coisa que eu faria. Faço apenas o mais simples e pungente dos apelos: ajude-nos.

Por fim, talvez não tenha sido uma boa menina esse ano; talvez tenha cometido alguns deslizes aqui e ali. Contudo, de uma forma ou de outra, é este o meu pedido de Natal: que possamos todos nos unir e salvar a Terra – coisa que, certamente, só um milagre natalino poderia fazer.

Atenciosamente,

Maria.

Maria Eduarda Dourado, 11ªA