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Fundadores, associações e colaboradores do jornal assinalam meio século do Trevim

“Trevim continua na senda da verdade”
José Luís Caetano Duarte

“Caro leitor,
Passados que foram 50 anos (meio século) do aparecimento do nosso jornal Trevim, aqui estou com o orgulho de ter sido um dos sete fundadores do jornal para vos dizer que eram tempos difíceis porque a famigerada Comissão de Censura fazia com o célebre lápis azul, para nós inexplicavelmente, cortes em todos os artigos que achassem incómodos para o regime ditatorial de então. Neste caso e para preencher aqueles espaços à última hora lá estava a paciência e compreensão, sabe-se lá com revolta por tamanha injustiça do regime, o saudoso Ti Joaquim da Gráfica (meu pai) a contatar o Pedro Malta ou o Guilherme Fortunato para solucionarem esta lacuna, que seria feita ou com artigos que não ferissem os senhores da censura ou com a colaboração dos nossos anunciantes. Desejo-vos a todos os que, ‘sabe-se lá com que sacrifício’, conseguem manter o nosso Trevim muitas felicidades e continuem sempre em frente. Dizer também ao nosso saudoso companheiro de tantas lutas Costa Ribeiro que, estejas onde estiveres, lá no infinito do além, jamais serás esquecido e o teu (nosso) Trevim continua na senda da verdade e da justiça. Um abraço para todos do Zé Luís da Gráfica”.

“Há mais de 50 anos”
Fortunato de Almeida

“Olá António Neves Ribeiro, ausente mas sempre presente. Citando Rui Fernandes, ‘o melhor de todos nós’.
Olá Pedro Júlio, José Redondo, José Luís, João Silva, Rui Fernandes, amigos de ontem, de hoje e, não duvidem, de amanhã. Amigos de sempre, há mais de 50 anos. Abraço-vos fraternalmente. Felicito também o nosso Jornal. 50 Anos de Vida, é OBRA!
Pelos 50 ANOS DO TREVIM, em pleno período eleitoral autárquico, decidi contribuir com o texto seguinte. É que, segundo o Padre Jesuíta Pedro Arrupe, “aprender é importante, mas mais importante é aprender a aprender e continuar a desejar aprender.”
As localidades competem cada vez mais entre si na tentativa de conquistar a sua quota parte de turistas, de negócios e de investimentos. O marketing local tornou-se uma atividade económica importante e, em alguns casos, o gerador predominante da riqueza local. Qualquer localidade possui um património histórico, cultural, económico, social e paisagístico, que pode sustentar a sua modernização. Existem localidades que se encontram dependentes dos movimentos cíclicos dos negócios, devido à sua dependência das indústrias e empresas em fase de crescimento. Ao mesmo tempo, existem outras que passaram por transformações saudáveis, após investimento massivo na criação de novas condições para melhorar a sua atratividade. Há ainda outras que dispõem de uma boa saúde financeira e que têm maior facilidade em atrair não só turistas, como novos residentes e até investidores. Nestes dois últimos casos, os problemas com que se debatem os marketeers locais, não será encontrar novas formas de continuar a crescer mas, sim, impedir que o crescimento não planeado destrua o seu património e qualidade de vida, colocando em risco a sua sustentabilidade futura. O marketing local deve entender-se como uma componente do marketing público, cujo âmbito se confina a uma localidade ou região e cujo objeto é a satisfação dos seus públicos-alvo: residentes, visitantes e organizações. O marketing das localidades requer o apoio de todos os órgãos públicos e privados, grupos de interesses e cidadãos. E da Imprensa local, entre outros tipos de media. As ações a desenvolver não são apenas de ordem financeira, devendo ser sustentadas pelos aspetos culturais, patrimoniais, históricos,…,de imagem, de orgulho e de pertença da própria população. Todas devem tentar diversificar, em termos de oferta, tudo o que a caracteriza, em termos específicos e fazer a adequada gestão. Têm de saber definir os tipos de serviços e indústrias que pretendem oferecer. É certo e sabido que, à medida que vão despertando para a necessidade de adotarem uma atitude de marketing, encontram algumas ferramentas importantes como os estudos de mercado e as análises SWOT. Todas permitem identificar os seus pontos fortes e fracos bem como as ameaças e oportunidades, que se lhes apresentam. Permitem ainda o desenvolvimento de ações adequadas para potenciar pontos fortes, minimizar pontos fracos, aproveitar oportunidades e contornar as ameaças. Além disso, há que definir objetivos, ou seja o que se pretende para, de acordo com as suas caraterísticas e potencialidades, definindo os mercados-alvo que interessam atrair e com que prioridade, fazer o seu posicionamento através da construção da imagem de marca que visa imprimir à localidade em questão.
Após estas definições de carácter estratégico, impõe-se ainda, a definição de planos de ação que permitam atingir os objetivos e que devem refletir de que forma os valores e as tomadas de decisão se combinam face aos problemas que constrangem o seu desenvolvimento.
TREVIM 50 ANOS! Parece que foi ontem! VIVA O FUTURO!”

“50 anos a “lousanizar” a nossa terra”
João Silva
“Ao comemorar com este número de Trevim os seus cinquenta anos, comemoramos também uma vida de alegrias e dificuldades.
Foi ao longo destes 50 anos que o nosso jornal assinalou os momentos mais importantes da nossa terra. Aqui travaram-se algumas lutas pela independência de opinião, pela democracia, pelo ensino da solidariedade, com a ambição de agradar a todos os lousanenses. Aqui, ficaram também documentados os momentos menos bons por nós vividos – como é o caso da perda do comboio – mas sempre com espírito de luta para com a nossa palavra tentar transformar o “mau” em “bom”.
Aos companheiros (Zé Redondo, Zé Luís, Rui Félix, Fortunato Guilherme, Zé Orlando, Carlos Hengler e outros) que ao longo destes anos dedicaram parte da sua vida ao jornal e à Lousã salientamos o papel de Pedro Malta como principal fundador e de António da Costa Neves Ribeiro com a saudade que nos deixou, um especial agradecimento por tudo o que fizeram por este jornal e pela Lousã”.

“Obrigado aos lousanenses que nos apoiaram”
Rui Fernandes
“Trevim com 50 anos, ao serviço da Lousã, intervindo no sentido de renovar, de defender valores que pensamos serem úteis para a nossa terra. E, na defesa desses valores, foi incómodo para alguns que o tentaram calar, o que faz prova da utilidade da sua existência. Sou o mais novo dos sete fundadores, tinha 22 anos. Por isso fui o que menos contribuiu para a sua nascença.
Cabe aqui referir que a ideia de criar o jornal partiu, muitos anos antes, do Pedro Júlio Malta.
Para mim e não só, ele é o verdadeiro fundador do jornal. É verdade. Sete fundadores, sempre amigos, orgulhosos do seu jornal. Sim, o António Costa Ribeiro já partiu mas para nós ele, o mais brilhante de todos, continua sempre presente. Continuamos a ser sete. Criar um jornal terá algum mérito, mas o Trevim chega aos 50 anos, pelo trabalho generoso e voluntário de muitos outros que o foram mantendo. Agradecido pelo seu trabalho e por terem continuado a obra que iniciámos, lembro-me de muitos amigos. Faria omissões e assim seja permitido que cite apenas o engenheiro José Orlando, como símbolo de todos os que permitiram que festejemos o meio século. Obrigado aos Lousanenses que nos apoiaram e viva a Lousã”.

“A força de acreditar”
José Redondo

“Nas comemorações dos 50 anos do jornal Trevim começo por recordar que, na altura em que o Pedro Júlio Malta com a ajuda de mais cinco jovens se abalançou a lançar um jornal na Lousã, ter ouvido de vários lousanenses com peso social, político e empresarial afirmarem num misto de gozo e premonição que o jornal não iria durar mais de dois ou três anos. Velhos do Restelo, que acertariam na previsão não fosse o caso de estar a liderar este processo um homem com uma enorme determinação. Contra “ventos e marés” e, sobretudo, com o “lápis azul” a dar-lhe cabo da paciência e mesmo com uma enorme falta de fundos, nunca desistiu. Foi ele, o Pedro Júlio Malta que no começo dos anos setenta teve de recorrer aos amigos fundadores e a outros para o apoiarem monetariamente, sob pena de o nosso Trevim acabar por desaparecer. E o desaparecimento de jornais não é nada que nos surpreenda.
Temos muitos exemplos não só a nível nacional mas sobretudo recordamos a nível local. Foram vários e alguns com apoios de peso…. Por isso, para além da enormíssima honra de continuar presente nesta luta de manter o jornal de pé, desejo recordar um outro nome que nos guiou, com a sua sabedoria, a sua firmeza de caráter, e a sua amizade, a todos nós.
Refiro-me a esse homem impar, o saudoso vilarinhense António Neves da Costa Ribeiro”.

“Recordar os que já partiram”
Aldina Martins
Afilhada de Neves Ribeiro

“No quinquagésimo aniversário do Jornal Trevim consideramos da mais elementar justiça lembrar o grupo de entusiastas Jovens Lousanenses que, colmatando uma lacuna existente, fizeram surgir “Uma Voz Nova Para Uma Lousã Renovada”.
Cientes do notável papel que a imprensa local e regional desempenha ao nível do cultivo da proximidade, da conservação de laços identitários, culturais e históricos e do reforço do conceito de cidadania decidiram fundar aquele que, ainda hoje, continua a ser o garante da divulgação da “vida” da Lousã.
Assim permitam-me parabenizar os vivos e, recordar os que já partiram. Entre estes está o Dr. António da Costa Neves Ribeiro, meu padrinho de batismo e responsável pela minha assinatura do Trevim praticamente desde a sua fundação. Nascido a 16 de Janeiro de 1939, em Vilarinho e licenciado em Direito e Ciências Jurídicas pela Universidade de Coimbra, nunca esqueceu a sua terra e sempre lutou pelo bem estar das pessoas que o rodeavam em especial das mais humildes.
Considerava o “Direito” um instrumento de concórdia e de realização de uma sociedade mais justa e, pautou sempre a sua vida por um hino à tolerância, à liberdade, à sabedoria e à confiança nos jovens, conceitos que introduziu nos escritos que publicava no seu jornal de eleição.
Com um curriculum invejável que culminou com a vice presidência do Supremo Tribunal de Justiça é, em sua memória e de todos os colaboradores que já partiram, que os atuais diretores devem manter o mesmo espírito de orientação para que o Trevim continue a ser “Uma Voz Nova Para Uma Lousã Renovada”.

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Autor: Carlos A. Sêco

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