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Opinião: Carta aberta à Metro Mondego

Rodrigo Almeida, 17 anos, Lousã

“Lousã sem comboio há 16 anos, 4 meses e 8 dias” seria a linha de abertura do jornal Trevim se hoje não houvesse algo muitíssimo melhor: o Metrobus, que nem é realmente um autocarro nem se pode chamar de comboio ou de metro.

Desde muito antes da sua inauguração (que ocorreu a 16 de dezembro de 2025), o projeto revelou diversos problemas, como concursos travados, adiamento sucessivo de prazos, o desmantelamento precoce da antiga via férrea sem uma alternativa imediata, o aumento exponencial dos custos face às estimativas iniciais, entre muitos outros, a lista é extensa…

Quando finalmente passou a circular, houve um conjunto de incidentes que revelaram problemas na organização. Em fevereiro deste ano ocorreu a demissão do presidente da Metrobus, João Marrana; a 9 de março, o troço suburbano entre Lousã e Serpins, encerrou temporariamente com previsão de reabertura em agosto deste ano (um acréscimo de mais 3 milhões de euros); sem esquecer os 10 acidentes que a própria Metro Mondego informa no seu site, num espaço de apenas 5 a 6 meses, o que dá cerca de dois acidentes por mês, algo inaceitável! Sem falar nos atrasos recorrentes…

No dia em que esta carta foi escrita, ocorreu mais um acidente, o décimo primeiro. Posso relatar os constrangimentos causados porque estava presente num dos “veículos” (como a própria Metro Mondego os apelida) que se dirigia à Estação da Lousã, quando na estação do Corvo pedem para todos evacuarem e se dirigirem para um autocarro dos serviços alternativos. No momento chovia torrencialmente e toda a gente começou a entrar no respetivo autocarro que já continha outras pessoas, o óbvio ocorreu, não houve lugares sentados para todos os passageiros. Estando toda a gente dentro, um segurança pediu para se retirarem aqueles que estavam em pé dentro do autocarro. O pedido gerou protestos e afirmações do tipo: “Pago o passe/bilhete para isto?” ou “Nem serviços alternativos nos dão em condições”.

Resumindo, um caos total. Basta imaginar os constrangimentos causados na vida dessas pessoas. A ocorrência de acidentes e erros é perfeitamente natural, mas a sua frequência revela problemas maiores.

Eu enquanto frequentador diário dos serviços da Metro Mondego concordo que é prático e útil se estiver a funcionar em plenas condições, mas não tem dado razão aos 10 milhões de euros gastos em estudos e projetos de execução, bem como os 327 milhões de euros investidos (até 2024). Só para se ter uma noção: “deveria custar 90 milhões de euros, de acordo com o estudo que suportou a decisão do Governo em 2017.” “No entanto, em 2020, aquando da consignação de várias empreitadas, a estimativa já era de 130 milhões de euros, com a conclusão do traçado suburbano perspectivado para o final do ano seguinte.”(segundo a agência Lusa). Fazendo as contas, o valor total até 2024 é 3,5 vezes superior ao pensado em 2017.

A população da Lousã esperou mais de uma década e meia por uma alternativa digna ao ramal desativado. O que recebeu, até agora, foi um serviço que falha no básico. Exige-se mais do que desculpas, exige-se uma operação que honre o investimento e o tempo de vida perdido nesta espera.

Dizem que criticar é fácil, mas a Metro Mondego provou que o difícil era mesmo fazer pior do que a ausência de serviço que a população viveu durante 16 anos.
Infelizmente, conseguiram.

A população fica à espera que a situação atual seja invertida e que seja verdadeiramente respeitada por esta entidade!

 

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Autor: Jornal Trevim

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