Filipe Paiva voltou a fazer história. O lousanen- se tornou-se o único por- tuguês a participar, pela segunda vez consecutiva, nos lendários ‘Seis Dias de Trial da Escócia’, a mais antiga e exigente prova da modalidade, disputada entre 4 e 9 de maio.
Após ter focado a sua estreia em terminar a com- petição, o objetivo passava agora por alcançar uma melhor classificação. No en- tanto, vários problemas mecânicos na mota acabaram por condicionar o resultado pretendido, tendo terminado em 214 de 288 pilotos.
O maior teste à resiliência do piloto surgiu logo ao segundo dia, quando a ventoinha da mota deixou de funcionar. “Parecia uma cafeteira sempre a deitar água e isso obrigou-me a parar muitas vezes. Por sete minutos que não fiquei fora da corrida”, revelou Filipe Paiva ao Trevim.
Sendo uma competição acessível apenas por convite à elite mundial, o evento acabou por ficar marcado pelos valores desportivos. Filipe Paiva e Viola Campanini enalteceram a entreajuda entre os participantes: “Não estávamos lá a competir uns contra os outros, mas sim a apoiar-nos”.
Durante a prova, a treinadora acompanhou o atleta em várias frentes, não só na condução da carrinha de apoio, mas também ao subir montanhas a pé, de mochila às costas, “para levar água e comida de reserva, mais uma eventual roupa de emergência”. O objetivo passava também por “chegar ao maior número de zonas possíveis ao longo do percurso”.
Os bastidores de uma preparação rigorosa
Superar um desafio desta dimensão exige uma preparação minuciosa.
Para isso, Viola Campanini apostou numa preparação que envolveu “o recurso a corrida dinâmica e exercícios de ginástica funcional, alternando com treinos de mota e natação”.
Além do trial, Filipe Paiva também se dedica a corridas de montanha. “O que faz nas corridas, conjugado com as motas permite uma combinação quase perfeita para trabalhar a parte superior e inferior do corpo e reforçar onde é necessário”, explicou a treinadora.
A natação deu um forte contributo para a reabilitação, fisioterapia e novas abordagens de recuperação, em especial devido a uma lesão que Filipe Paiva tem no joelho e que poderia condicionar a sua performance.
Neste momento a dupla já está a trabalhar para a competição de 2027 e também para a “mais louca e difícil” prova, a ‘The Scott Trial’, que consiste em 135 quilómetros e 75 zonas, sem parar, em outubro deste ano.
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