Aníbal Francisco e Isabel de Jesus, nascidos algures no último quartel do Século XIX, eram um casal oriundo de Podentes / Penela, lugar onde nasceram os seus filhos mais velhos, entre os quais a nossa avó e madrinha Maria de Jesus (1898/1985), mulher que representava a bonomia 24 horas ao dia… Seu irmão, Aníbal Francisco Júnior, nome homónimo de seu pai e nosso “convidado” de hoje, não era muito diferente. Sendo, portanto, um dos mais novos, já veio nascer à Lousã, Favariça, a 8 de abril de 1909. Como era apanágio nesse tempo, conheceu aos oito anos de idade, a aspereza da vida nas culturas vizinhas ou familiares. Reinava a lei da sobrevivência. Algo depois, ingressa na Fábrica do Papel do Prado ao Penedo e ali aprende a profissão de carpinteiro, vindo a ser, segundo nossa opinião e certeza, um dos melhores profissionais lousanenses nessa área. Foi ele que construiu o teto em madeira do Salão Nobre da Câmara Municipal da Lousã, aquele que “protege” geometricamente a maravilhosa obra do pintor torrejano Carlos Reis…
Aníbal Francisco Júnior era um senhor de uma obstinação ímpar, muito firme nas suas convicções e de uma cordialidade humana, certamente confirmada pela genealogia paterna, gente que bem conhecemos, em plena década de 50 do século passado, que é o mesmo que dizer, sabemos o que estamos a escrever! Conservamos no nosso memorial toda a família, menos seus irmãos, José e Emília Francisco, emigrados e falecidos em Santos, Brasil, em datas que não conseguimos apurar.
Prosseguindo com sua biografia, tio “Aníbal da Castelo”, embora isento do Serviço Militar no ano de 1929, ficou sujeito, nos termos do regulamento do serviço de recrutamento, a pagar uma taxa militar, até ao tempo terminal da Segunda Guerra Mundial, 1945. O Estado “velho” e o Novo tinham estas coisas. O povo sofria e revoltava-se. Perante todos estes disparates e penúria extrema, tio Aníbal casou com Helena de Jesus Malta, uma senhora natural de Coimbra, cuja comunhão de cama e mesa teve um acréscimo de quatro filhos. O Pedro, a Emília, a Glória e o Alberto, estando apenas este último entre nós…
Foi ele, o tio Aníbal, um dos fundadores dos Carpinteiros Reunidos da Lousã, calculamos que em finais da década de 40, primórdios da seguinte, em conjunto com outros amigos, entre os quais o gerente Eugénio Antunes Pinto, da Papanata. Permaneceu cerca de 20 anos nesta sociedade até fundar – impulsionado pela sua maneira de ser – a CASTELO Carpintaria Mecânica Lda, na Rua de Coimbra, junto às Carvalhas de Ramalhais.
Levou consigo, alguns empregados dos Reunidos com quem sabia entender-se, sendo o resto, “maços e martelos”! Já partiram quase todos… Caros leitores, a vida é mesmo assim, “viver não custa, o que custa é saber viver”!… Foi a todo o tempo uma figura popular, educada e de uma enorme ou exuberante visão.
Faleceu na Favariça, a 4 de maio de 2000, aos 91 anos de idade.
Carlos Ramalheiro
0 Comentários