Foi na infância que a vontade de criar se apoderou de Victor Costa. Aos 68 anos, o artista é o somatório de todos os caminhos que percorreu, com a pintura ainda a norteá-lo. Sempre a partir de Almalaguês, o seu berço.
Se não tivesse ficado em 1.º lugar num concurso de desenho na escola primária, a pintura ter-lhe-ia passado ao lado?
Claro que não. Desenhar, pintar e criar são formas de dialogar e de intervir. Nasceram comigo, fazem parte de mim. Mais cedo ou mais tarde acabariam por se manifestar. Esse concurso valeu pelo prémio que recebi, um enorme manancial de materiais de pintura.
É, acima de tudo, um autodidata. Lamenta não ter ido para Belas-Artes?
Sim e não. Lamento não ter ido, porque era o meu caminho, eu queria ir por aí. Fascinava-me esse chamamento, pensava e idealizava um percurso de liberdade criativa, de expressão e conhecimento técnico que me abrisse novos horizontes. Obviamente que o vínculo familiar e o confronto geracional intensificavam a opção. O facto de não haver Belas-Artes em Coimbra determinou a opção familiar. Hoje, 55 anos depois, não. O meu processo criativo é mais livre, amplo e puro. Quando o nosso caminho se faz caminhando, os erros, as quedas e as tentativas são o combustível que alimentam o sucesso da caminhada. É muito mais difícil percorrer este caminho, mas a liberdade que encerra é muito mais estimulante. Hoje, sinto que sou fruto de mim mesmo e isso alimentar-me-á até ao fim do caminho.
Leia a notícia completa na edição n.º 1581 do Trevim.
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