A Associação Portuguesa do Cancro no Cérebro (APCCEREBRO) lançou o desafio aos dirigentes políticos para a criação de um complemento de apoio a estudantes com necessidades de saúde, uma iniciativa que procura “proteger o futuro académico de bolseiros confrontados com despesas médicas inesperadas que ameaçam os seus sonhos universitários”, lê-se em comunicado enviado ao Trevim.
De acordo com a associação, liderada pelo lousanense Renato Daniel, trata-se de um apoio “específico para os estudantes com limitações derivadas da sua condição de saúde”, independentemente desta ser de natureza oncológica ou outra.
A igualdade de oportunidades orienta esta proposta, refere o dirigente, que visa garantir o acesso a serviços essenciais como fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, acompanhamento nutricional e psicológico. Renato Daniel, que também já teve um diagnóstico de cancro no cérebro, afirma que “estes cuidados são disponibilizados pelo Serviço Nacional de Saúde. Mas como sabemos, devido às muitas limitações por falta de profissionais nestas mesmas áreas, os doentes ou esperam muitos anos, que muitas das vezes excedem aquilo que são as suas necessidades, ou têm mesmo que procurar alternativas fora”.
A APCCEREBRO avança que, embora não seja possível quantificar o número de potenciais beneficiários desta medida, um apoio anual cujo valor iria até ao limite de um Indexante de Apoios Sociais, atualmente fixado em 509,26€, a associação acredita que o seu impacto seria transformador. “Em termos orçamentais, é uma medida muito ligeira, mas pode fazer a diferença na vida das pessoas, pode fazer com que voltem a aprender a falar, voltem a mexer um braço, a exercer a função para a qual se estavam a preparar enquanto estudantes do ensino superior”, refere Renato Daniel.
De acordo com o responsável, a proposta será enviada aos partidos políticos porque a associação acredita ser possível colocá-la em algum programa eleitoral, “para que, de facto, os partidos não deixem este espaço vazio mais tempo. Aquilo que nós pretendemos é muito simples: que não deixemos ninguém para trás, nem atiremos ninguém para uma situação de exclusão educativa por ser diagnosticado com uma doença, ou por ter de fazer, por esse motivo, um percurso diferente dos seus pares”.
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