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TRIBUNA LIVRE: FOGO QUE ARDE I – Calamidade anual

No Concelho da Lousã, como em toda a parte, há pessoas muito inteligentes, inteligentes e menos inteligentes. Mas todos sabiam que a extensa mata da vertente norte da nossa Serra iria arder e que causaria danos de grande monta, para além de poderem ser atingidos alguns aglomerados populacionais. Só não sabiam quando. De resto, nestes últimos anos, já se haviam verificado algumas ameaças, que só não resultaram por terem sido lançadas durante o dia e, logo, debeladas pelos Bombeiros e meios aéreos. Mas, mais triste ainda: também todos sabemos que a parte que não ficou afetada irá, por certo, mais ano, menos ano, também arder.

No resto do norte do país, muitos incêndios têm atingido enormes proporções, para além daqueles que não chegam a ser notícia. E, se em grande parte, devoram matagais, para além do pavor, tem atingido muitas aldeias e até localidades com alguma densidade populacional, provocando prejuízos enormes às pessoas que ainda lá habitam e pondo em causa as suas próprias vidas.

É terrível para os portugueses que sofrem diretamente. Ficar sem a casa ou ter de a abandonar, perder os animais e as alfaias, ver desaparecer as culturas, as pecuárias ou perder empresas e empreendimentos, é trágico e aterrador. Mais, faz recrudescer o afastamento das pessoas mais novas para o litoral e para o estrangeiro. Até mesmo para quem está em férias e afastado do perigo e dos danos não deixa de ser doloroso.

Ainda a lenha e a madeira que ardem ou ficam queimadas, volatilizando-se, acabam por deixar de ter qualquer préstimo, não deixando de constituir um prejuízo nacional. E tudo isto sem contar com a negra desolação que fica e com o carbono que vai para a atmosfera e para os ribeiros e rios, para além da subjugação das espécies vegetais autóctones por outras nocivas.

Sejamos honestos, face às atuais circunstâncias tornou-se impossível evitar os incêndios florestais, pois, como se vê, os estios são cada vez mais estios e há muita coisa para arder (a que os especialistas chamam combustível). A nossa Serra irá voltar a ser cenário de grandes incêndios. Mas é possível minorar ou esbater os seus efeitos. Para tanto, o Trevim, como eco da sociedade civil regional, e até por ostentar o nome do ponto mais alto da Serra da Lousã, tem um importante papel, que, a nosso ver, não tem desempenhado.

Iremos dar o nosso contributo e esperamos fomentar ou mesmo atiçar outros, para também o fazerem. O lema será: Os Fogos de Verão Combatem-se no Inverno.

Alcides Martins

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Autor: Jornal Trevim

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