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Transporte moderno sabe a pouco

Mais queixa, menos queixa, muito se disse e escreveu nos últimos dias sobre o Sistema de Mobilidade do Mondego, vulgo ‘metrobus’, a propósito da entrada em funcionamento do troço suburbano entre Coimbra e Serpins.

Houve elogios e também uma grande falta de memória. Duas correções: o Ramal da Lousã foi fechado há 16 anos e não há 15 e, em bom rigor, não é legítimo afirmar que o metro, muito menos na versão ‘metrobus’, foi alguma vez aspiração das populações!

Em breve, no dia a dia das viagens, terão os utentes as melhores condições para confirmar, ou não, todas as alegadas vantagens dos autocarros elétricos que agora circulam no antigo ramal ferroviário.

“Finalmente” e “é melhor que nada” são algumas das expressões mais escutadas desde que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, inaugurou o investimento, no dia 16.

Ouvimos ainda intervenções – festivas, compreensivelmente – que caraterizaram o dia como “momento histórico”.

Sim, a data é histórica. Merece justa celebração, tanto mais que encerra um inacreditável processo com mais de três décadas!

Desde a publicação, em 1994, do diploma fundador do que veio a ser a Metro Mondego (MM), temos uma história recheada de promessas por cumprir, irrealismo, eleitoralismo, ligeireza, megalomania, mentiras, avanços e recuos, decisões políticas contra as pessoas e o desenvolvimento da região, sucessivas administrações da MM de nomeação partidária, delapidação do erário público em obras, depois desfeitas, e mais de 100 estudos e projetos, muitos deles sem qualquer aplicação prática.

Houve desprezo do Estado, incluindo de alguns deputados e autarcas, pela vontade das populações, pelos seus direitos e precários meios de mobilidade, sobretudo de Miranda do Corvo, Lousã e Serpins.

É óbvio que o novo sistema, globalmente, é de longe melhor que as camionetas dos transportes alternativos.

Mas fica muito aquém do que seria uma linha eletrificada com comboios modernos a circular.

Em 2016, faria 100 anos o Ramal da Lousã, uma petição com 8.000 assinaturas pela reposição do transporte ferroviário foi levada pelo Trevim à Assembleia da República.

O ramal fora abandonado em 2011, com obras iniciadas dois anos antes suspensas. Seriam estas para acolher um metro de superfície, sobre carris.

Após um segundo investimento vultuoso, temos um canal asfaltado e uma frota de autocarros mais ecológicos. Tudo moderno, mas pouco.

Casimiro Simões

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Autor: Jornal Trevim

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