Escrevo estas linhas no fecho de mais um ano com o peso da responsabilidade e o orgulho sereno de quem continua a dirigir um jornal com 58 anos de história ao serviço do concelho da Lousã. O Trevim chega ao final de 2025 consciente de que o mundo mudou e de que o jornalismo local é hoje, talvez mais do que nunca, um exercício de resistência, de proximidade e de sentido coletivo.
A informação circula a uma velocidade vertiginosa, muitas vezes sem contexto, verificação ou memória. A opinião confunde-se com facto e o ruído ameaça silenciar o que realmente importa. Para um jornal local, esta realidade traz um desafio acrescido: competir pela atenção sem abdicar do rigor, ética e responsabilidade que sempre definiram o Trevim.
Não escondemos as dificuldades. Este foi um ano muito exigente do ponto de vista financeiro, humano e estrutural. A quebra nas receitas, o aumento dos custos e a dificuldade em manter equipas pequenas, mas dedicadas colocaram-nos, mais uma vez, à prova.
Mas também foi um ano de reafirmação. Continuámos a estar onde faz sentido estar: nas freguesias, nas associações, nas escolas, nas coletividades, no município, nas histórias anónimas que não têm espaço nos grandes meios, mas que constroem a identidade da Lousã. Num tempo em que o comportamento de todos é cada vez mais moldado por algoritmos distantes, o Trevim manteve-se fiel à lógica da proximidade.
Olhando para 2026, não alimentamos ilusões fáceis, mas também não cultivamos derrotismo. O futuro exige adaptação. Exige reforçar a presença digital sem perder a alma do papel. Exige novas formas de chegar aos leitores, especialmente aos mais jovens, sem ceder à superficialidade. Exige, acima de tudo, uma comunidade consciente de que um jornal local independente não é um dado adquirido – é uma construção elaborada com todos.
Perspetivamos 2026 como um ano de consolidação e de escolhas claras. Escolher continuar. Escolher inovar com critério. Dizer não ao sensacionalismo e sim ao jornalismo que contextualiza e liga pessoas. O Trevim quer continuar a ser um espaço semelhante, um lugar de confiança.
Aos leitores, assinantes, colaboradores e parceiros, deixo uma palavra simples e firme: enquanto houver quem acredite que a informação local importa, o Trevim continuará a cumprir a sua missão. Com dificuldades e desafios, mas também com a certeza de que 58 anos de história não se apagam — constroem-se, edição após edição.
Que 2026 seja um ano de lucidez, participação e compromisso de todos.
BOAS FESTAS!
Luísa Pinto Ângelo
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