Cerca de 100 pessoas participaram no 12.º Jantar da Fraternidade, na Lousã, no dia 8, evocativo do cantor José Afonso.
Organizado por sócios de coletividades locais, o jantar-concerto decorreu no salão do Rancho Estrelinhas da Ponte do Areal, tendo terminado perto da meia-noite ao som de “Grândola, Vila Morena”.
O serão musical abriu com “Canção do desterro”, de Zeca Afonso, que foi dedicada a João Queirós, que sempre a interpretou com força inigualável no início de cada uma das últimas edições, mas que desta vez, por razões de saúde, não pôde estar presente.
O Jantar da Fraternidade teve novamente o contributo dos músicos Manuel Rocha e Luís Garção, da Brigada Victor Jara.
Com vozes e instrumentos diversos, juntaram-se os jovens Carolina Rocha, Rui Lopes, Pedro Sêco e Sancho Amaral Simões, além de Matilde Ferreira e Paulo Miranda.
A professora Filomena Martins, presidente da assembleia da Associação São Lourenço, declamou poemas sobre José Afonso, a guerra colonial e a luta contra o fascismo.
Desta vez, a Junta de Freguesia da Lousã constituiu-se como entidade parceira da componente musical do evento.
O presidente da Junta, Alcindo Quaresma, salientou a importância de preservar a memória de Zeca Afonso e de valorizar a sua obra poético-musical.
“Com apenas 57 anos, Zeca partiu em 23 de fevereiro de 1987, mas ficou para sempre na alma limpa do povo que somos”, afirmou Casimiro Simões, coordenador da iniciativa.
Antes do 25 de Abril de 1974, “numa qualquer sexta-feira como esta, não seria possível realizar este jantar”.
“Uma ditadura feroz negava-nos a liberdade de reunião e de expressão e no dia seguinte, sábado, teríamos de trabalhar”, disse o jornalista.
Os presentes eram sobretudo da Lousã, mas alguns vieram de outros municípios, como Coimbra, Mealhada, Condeixa-a-Nova, Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Miranda do Corvo, Sabugal e Góis. Ou mesmo Viseu e Lisboa.
Líder da Assembleia Municipal de Lisboa esteve presente
Vindos da capital, ambos com ligações à Lousã, marcaram presença o docente universitário André Moz Caldas, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e ex-secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, e a neurologista Ana Paula Breia, ex-diretora do Hospital Garcia de Horta.
Participaram ainda membros da Associação José Afonso.
Desta vez, o Jantar foi integrado no 9º Festival Literário Internacional do Interior – Palavras de Fogo, que envolveu autarquias e várias instituições dos concelhos de Arganil, Coimbra, Condeixa e Lousã.
Além da Junta da Lousã e do Licor Beirão, o programa teve a colaboração das cooperativas Trevim e Arte-Via, jornal Trevim, Liga de Amigos do Museu Louzã Henriques e Associação São Lourenço.
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