Onofre Varela

O sentido religioso promove e alimenta o êxtase da fé. Criamos símbolos com o propósito de os adorarmos, tal como os Hebreus fizeram com o bezerro de ouro.  Moisés insurgiu-se contra o povo idólatra… mas hoje os cultos do seu livro, e que pregam por ele, continuam a alimentar a idolatria, mormente o Catolicismo que é muito rico em iconografia, com as imagens de Jesus, Maria e uma imensidão de santinhas e santinhos que uma repartição do Vaticano não se cansa em fabricar!…

Os símbolos fazem parte da nossa natureza. Todos nós enfeitamos a nossa vida com símbolos, e a Igreja tem majestosos templos, estatuária e pintura, fabulosos utensílios de culto em prata e ouro, mais os paramentos, os hinos, as celebrações teatralizadas e os ritos. As religiões fabricaram todas as ferramentas para serem constantemente lembradas e acrescentadas de novos elementos para o culto, como as imagens dos “santos” que decoram os templos, as capelas e os nichos de estrada, sempre acompanhadas pela respectiva caixa com ranhura colectora de receitas na forma de dádiva voluntária. Sem este aspecto material… o espiritual não se governa! 

O Ateísmo não possui nada disto!… Os ateus só são espirituais, descurando o aspecto material… são uns pobretanas!… Não constroem templos nem criam ícones para conquistarem aderentes. (A Associação Ateísta Portuguesa começou por usar como logotipo a representação do átomo; a menor partícula que compõe um elemento químico. Recentemente mudou-o para uma representação gráfica das iniciais da associação). Os ateus apenas têm a palavra para espalharem a sua filosofia, e não o fazem com o empenho de a propagar diariamente, como a Igreja o faz nas missas. Se a palavra é coisa pouca nesta era da imagem… acaba por ser suficiente porque a palavra é tudo. Assim haja quem a queira ouvir ou ler, e raciocinar sobre o que ouve e lê. 

Para dificultar o caminho aos ateus, acresce que as sociedades estão formatadas em preceitos religiosos que fecham as portas ao discurso ateísta. O Ateísmo ainda é alvo de preconceitos e de uma censura que lhe impossibilita uma visibilidade franca para o tornar conhecido como realmente é, e não como alguns, maldosamente, pensam que é e afirmam ser. Tenho amigos de várias confissões religiosas, entre os quais há padres católicos, que já me disseram: “Tu não és ateu”. E porque o dizem? Não é pelo meu discurso em defesa da minha descrença, mas sim porque me conhecem bem e consideram que um fulano a comportar-se assim, não pode ser ateu!!… E isto não é mais do que preconceito!… Esses meus amigos têm gravado nas suas mentes religiosas uma figura de ateu que não corresponde à realidade. Provavelmente idealizam os ateus como anti-sociais, mal-comportados, patifes e mal dispostos… e como me conhecem bem… não posso ser ateu!… Oh meus amigos… isto é do caraças!… 

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico) 

OV

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