Ó minha Fonte Godinha
Não és só minha, és de todos
Hoje tenho saudades
De tudo o que nós fomos
Ó fonte dos amores
Já foste, não voltas a ser
Porque o que existia em ti
Já tudo se está a perder
Ó fonte de água pura
Não havia na redondeza
Matavas a sede aos ricos
E também aos da pobreza
Hoje estás desprezada
Não sei qual a razão
Valha-nos St. º António
E também o São João
Há quem se lembre de ti
E te leve uma flor
Porque beber a tua água
Só nos traz luz e calor
O Dr. Américo receitava
Beba água só da Fonte Godinha
Porque ele sabia
Que nos dava saudinha
Já muito temos reclamado
Para que ela seja limpa
E nos nossos ouvidos
Só ouvimos música pimba
Poupem água, poupem água
Dizem os nossos governantes
E as nossas nascentes?
Ninguém as zela como dantes
Quando eu poisava o cântaro
Naquelas benditas loisas
Hoje já lá não estão
Já lá vão para outras coisas
Estão a levar pedra por pedra
Para onde eu não sei
Então levam tudo
Acham que isto é de lei?
Os antigos de Vilarinho
Deixaram-nos um grande bem
Muitas lindas fontes
Coisa que poucos têm
Ó linda fonte, linda fonte
Como eu gostava de ver
A darmos um passeio
E da tua água beber
Arranjem as nossas fontes
Antes de eu morrer
Pensem também nos velhinhos
Não façam só coisas de lazer
Peço aos nossos governantes
Um pouco de consideração
Para que ela seja limpa
E se possa lá encher o garrafão
Maria Serra
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